Liderança feminina no meio empresarial ainda é um desafio?

Uma das premissas do Conselho Estadual da Mulher Empresária de Santa Catarina (CEME) é sensibilizar, capacitar e empoderar as mulheres para que assumam cargos de liderança e atuem como protagonistas em suas empresas, nas instituições e na sociedade em que estão inseridas. No âmbito empresarial e associativista, as lideranças femininas estão cada vez mais presentes, mesmo assim, ainda existem muitos espaços a serem ocupados. Dentro da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), por exemplo, há 148 associações empresariais e, destas, 17 são presididas por mulheres, ou seja, pouco mais de 11% do total.

“Vemos que o movimento de mulheres à frente de associações e entidades de classe ainda é incipiente, mas tende a crescer, pois as mulheres estão mais participativas nas diretorias. Coisa rara em tempos anteriores, onde a mulher ficava dentro da empresa. Hoje, a mulher percebeu que olhar para seus negócios com uma perspectiva mais ampla, participando das decisões da sociedade, impacta muito no sucesso da sua empresa. Creio que teremos muitas mudanças positivas neste cenário nos próximos anos”, estima a presidente do CEME, Janelise Royer dos Santos.

Iniciativa para fundar a Associação Empresarial de Cocal do Sul

Com apenas 26 anos, a jovem advogada Bruna Quarezemin, de Cocal do Sul, é um grande exemplo de liderança feminina. Em meados de 2018, ela iniciou uma mobilização em sua cidade para implantar uma associação empresarial. Mesmo sem nenhum envolvimento anterior com o associativismo, ela foi em busca de informações para viabilizar a entidade, pois via como uma necessidade para as empresas do município.

“Nós temos um número considerável de empresas ativas, duas áreas industriais, o projeto de uma terceira e a previsão de construção de uma quarta. Então, temos um nicho grande de empresas a serem atendidas, empresas que até então não possuíam o suporte e a representação da classe por meio de uma instituição. Identificamos um número relevante de empresas de Cocal associadas a entidades de outros municípios, demonstrando potencial para implantarmos uma associação”, explica a jovem.

Após diversas reuniões de sensibilização com o apoio da FACISC, por meio da consultora da regional Extremo Sul, Mariane Bergmann, foi fundada, no dia 24 de abril deste ano, a Associação Empresarial de Cocal do Sul. “Na definição dos membros da diretoria, demonstrei meu interesse em fazer parte e meu nome foi aprovado como presidente. Uma das coisas que me preocupavam era o fato de ser mulher e jovem para o cargo, mas vi que precisava quebrar esses paradigmas, porque competência não tem sexo nem idade, e percebi que o grupo estava me apoiando e pensando da mesma forma”, ressalta Bruna.

Segundo ela, há muitas ideias a serem colocadas em prática pela entidade. Entretanto, o momento agora é de estruturação e formalização legal da associação, para posterior definição do planejamento e execução das primeiras ações. Outro ponto que ela destaca é o apoio obtido do Poder Executivo municipal, que cedeu uma sala da prefeitura para abrigar a entidade.

Primeira diretoria da Associação Empresarial de Cocal do Sul, com Bruna Quarezemin (3ª da esq. para dir.) como presidente

Primeira diretoria da Associação Empresarial de Cocal do Sul, com Bruna Quarezemin (3ª da esq. para dir.) como presidente

Exemplo que vem do Extremo Oeste

Saindo do Extremo Sul do Estado, outro exemplo vem do Extremo Oeste – mais precisamente, de Maravilha. A trajetória da empresária Poliana de Oliveira dentro do associativismo começou ainda em 2009, quando ela entrou no Núcleo de Jovens Empreendedores da Associação Empresarial de Maravilha.

“Depois disso, fui convidada a fazer parte da diretoria da entidade, participando do Conselho Fiscal, e tive o desafio de reativar o Núcleo da Mulher Empresária e atuar como primeira coordenadora. Isso ocorreu em 2012 e, com o sucesso do núcleo, foram surgindo outras oportunidades, como a vice-presidência e posterior presidência da Associação Empresarial, cargo que exerço até o final deste ano”, relata Poliana.

De acordo com ela, a partir da atuação junto ao Núcleo da Mulher Empresária veio o desafio de ser vice-presidente regional Extremo Oeste do CEME, auxiliando na formação e fortalecimento de outros núcleos, como os de Itapiranga, Cunha Porã, Palmitos, Iporã do Oeste, Pinhalzinho e São Lourenço do Oeste.

“Me envolvi de tal forma que fui convidada depois para ser vice-presidente estadual do CEME e encaro isso como uma oportunidade única de aprendizado e crescimento. É claro que também precisamos estar disponíveis e investir nosso tempo para o associativismo, deixando muitas vezes nossos afazeres para nos dedicar à causa. Mas acredito que o ganho é imensurável, tanto em conhecimento quanto na rede de contatos que formamos, compartilhando experiências com outras mulheres que fazem a diferença. Sem dúvida, isso nos torna pessoas e empreendedores melhores, nos fazendo enxergar novas possibilidades”, enfatiza.

Poliana menciona que seu interesse pelo associativismo veio de casa: “Acredito que tem a ver com o exemplo de minha mãe, dona Angela, que foi a primeira mulher a presidir a Associação Empresarial de Maravilha e hoje eu, sua filha, sou a segunda mulher a ocupar este cargo”. Uma das principais conquistas de Poliana em sua gestão, que termina neste ano, foi consolidar a edificação da sede própria da entidade, inaugurada no mês de fevereiro.

Poliana de Oliveira, ao lado de lideranças da FACISC, na inauguração da sede da Associação Empresarial de Maravilha

Poliana de Oliveira, ao lado de lideranças da FACISC, na inauguração da sede da Associação Empresarial de Maravilha

A força das mulheres no movimento associativista

Na opinião da vice-presidente Poliana, o trabalho realizado pelo CEME e disseminado por meio dos núcleos em mais de 60 municípios catarinenses é essencial para dar mais visibilidade às mulheres e, por consequência, incentivar a liderança feminina. “O movimento associativista oportuniza mais conhecimento, informação e a valorização das empreendedoras. Vejo que é importante trabalharmos o empoderamento da mulher e sua formação como líder, pois isso trará ainda mais benefícios às organizações e à sociedade como um todo”, acredita.

Ela cita, por exemplo, a atuação do CEME e da FACISC em torno dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), para incentivar o desenvolvimento sustentável: “Um dos ODMs é promover a igualdade de gênero e empoderar as mulheres. Nesse sentido, vejo que estamos trabalhando de forma alinhada, com um propósito, para gerar esses resultados em nossa sociedade”.

O presidente da FACISC, Jonny Zulauf, complementa que as mulheres têm uma força extraordinária dentro do associativismo e convida para que mais empresárias de envolvam com as causas empresariais: “Fica nosso incentivo para que participem das associações empresariais, das diretorias, e estejam conosco. As portas da FACISC estarão sempre abertas para todas as empreendedoras de Santa Catarina”.

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