ONG amplia horizonte profissional de meninas; saiba como ajudar

Desde 2017, o Brasil conta com uma sede da Inspiring Girls, uma organização não governamental (ONG), presente em 14 países, que tem o objetivo de ampliar os horizontes profissionais das meninas, colocando-as em contato com mulheres que atuam em cargos de gestão e profissões historicamente predominadas por homens. Esse trabalho de empoderamento é feito por meio de conversas entre profissionais voluntárias e alunas de escolas públicas, com idade entre 10 e 15 anos.

Tendo como uma de suas premissas o desenvolvimento de lideranças e o empoderamento feminino, o Conselho Estadual da Mulher Empresária de Santa Catarina (CEME) está contribuindo, pelo segundo ano, com as ações da Inspiring Girls.

De que forma isso ocorre? Por meio do programa Onda: Mentoring para inspirar grandes transformações. Conforme a presidente do CEME, Janelise Royer dos Santos, o Onda não tem custo para as participantes, que, em contrapartida, são incentivadas a colaborar com a ONG, realizando doações espontâneas.

Conheça o trabalho da ONG Inspiring Girls

Com sede em Florianópolis e atuação em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, a organização inspira meninas a escolherem seu caminho profissional através do exemplo e da motivação para conhecer novas possibilidades. Para isso, são colocadas em contato com profissionais, especialmente dos setores de tecnologia e engenharia, que servem de modelo e apresentam novas perspectivas para a carreira das estudantes.

A representante da Inspiring Girls no país, Corinne Giely Eloi, é francesa, radicada no Brasil há cinco anos e atuou em cargos de liderança em multinacionais durante duas décadas. Consultora dos programas de diversidade e liderança feminina Springboard e Sprint, é também instrutora de Atenção Plena (Mindfulness), praticante de yoga e facilitadora em comunicação não violenta. Seu trabalho tem o propósito de promover uma educação com qualidade, equidade e a redução das desigualdades sociais, de raça e de gênero.

Nesta entrevista para o CEME, Corinne fala um pouco mais sobre o trabalho da ONG e sua importância para a diminuição das desigualdades de gênero.

Corinne Giely Eloi é a representante da ONG Inspiring Girls no Brasil

Corinne Giely Eloi é a representante da ONG Inspiring Girls no Brasil

CEME: O mercado de trabalho brasileiro ainda apresenta muitas desigualdades e lacunas quando falamos em gêneros? Como você enxerga este cenário e quais são as principais consequências disso?

Corinne: A missão da ONG Inspiring Girls no Brasil é inspirar alunas com novas profissões rotuladas masculinas dos setores da tecnologia e engenharia, dois setores promissores em termos de oportunidade de emprego, inovação, com média salarial alta, onde as mulheres representam apenas 10% a 15% do capital humano. Elas representam apenas 30% em cargos de liderança e menos de 4% em conselhos de administração/CEO. Consequentemente, as empresas que ainda não investem em uma cultura de diversidade ou não apoiam o objetivo de desenvolvimento sustentável da ONU número 5, de equidade, perdem a oportunidade de lucro, inovação, criatividade e produtividade, além da retenção de colaboradores, fazendo parte dessas minorias e sendo discriminados nesse ambiente corporativo dominado por homens brancos acima de 50 anos.

CEME: Apesar dos avanços, ainda vemos os ambientes empresariais e políticos dominados por homens. Há poucas mulheres exercendo cargos de liderança e esse é um traço muito forte da nossa cultura. Você acredita que este cenário pode melhorar nos próximos anos? Como isso será possível?

Corinne: A cultura das empresas tem um papel enorme na mudança de paradigmas da sociedade em geral, porque, além de impactar os colaboradores, ela impacta as famílias e os amigos dos colaboradores. Hoje, as empresas têm o dever de colocar no seu planejamento estratégico ações específicas para promover a diversidade, criando novos departamentos de diversidade e sustentabilidade com equipes dedicadas (o RH tem outras funções para cumprir). Além disso, apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) de forma oficial se tornando signatário e usar o relatório anual para incentivar ações internas e externas; capacitar as mulheres para desenvolver uma liderança feminina e incentivá-las a se candidatar e aprimorar sua assertividade para se destacar em um ambiente masculino; abrir espaços de diálogos e oficinas de comunicação não violenta para aprender a debater sobre discriminação e preconceitos que os colaboradores podem sofrer.

CEME: Você acredita que o empoderamento feminino e a mudança de perspectiva iniciam quando as mulheres ainda são crianças? De que forma as famílias, a escola e a sociedade podem incentivar as meninas a serem líderes e buscar carreiras historicamente dominadas por homens?

Corinne: Com a idade de seis anos, as meninas já descartam profissões rotuladas masculinas, porque elas ganham presentes de Natal ou aniversário que não incentivam, por exemplo, a construção, montagem e desmontagem de peças, a prática de esportes em equipe ou a liderança em jogos mais estratégicos. Elas são criadas para se calar, cuidar do corpo e cabelo, das tarefas domésticas, dos filhos e dos outros em geral, com um foco muito limitado: a beleza e o cuidado. As famílias e as escolas precisam ampliar o horizonte profissional para despertar essa curiosidade e interesse nelas. Os professores devem incentivar mais interesse nas exatas com as alunas e abrir espaço para ouvir as vozes delas na classe com mais frequência.

CEME: O que cada mulher empresária pode fazer, em sua cidade e sua empresa, para ajudar a mudar essa realidade?

Corinne: Caso essas mulheres nucleadas tenham o poder de decisão em suas empresas, elas precisam liderar essas ações de diversidade e capacitação terceirizando consultoras especializadas, recrutando equipes diversas, competentes e experientes, que possam implementar essa mudança cultural localmente.

CEME: De que forma o CEME, que reúne mulheres empresárias de todo o Estado, pode contribuir para empoderar e incentivar as nucleadas para essa mudança cultural?

Corinne: O CEME, como órgão estadual, precisa incentivar as ações das nucleadas dentro das empresas delas, destacando e monitorando essas mudanças de forma quantitativa e qualitativa, publicando relatórios e dados em nível estadual, sendo uma referência, um exemplo, uma inspiração!

Veja como se inscrever para o programa de mentorias do CEME

As inscrições para o programa Onda já estão abertas através do site https://cursos.cemedesenvolve.com.br/inscreva-se/. Neste ano, serão oferecidas nove mentorias on-line, com mulheres que são destaque nas áreas empresarial, institucional e política. A primeira mentoria vai ao ar no dia 8 de outubro. Acesse o site oficial e confira a programação completa.

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